NOTÍCIA

1. Os Jovens do Árvore da Vida no galpão de montagem da Árvore
09 | 12 | 2007
Jovens do Programa Árvore da Vida participam da montagem da Árvore de Natal da Lagoa na Pampulha
Bons frutos para o futuro

por
Cristiana Andrade - Estado de Minas

Carinhosamente chamados de frutos pela equipe de uma empresa de painéis de iluminação, 20 jovens que passaram pelo curso de auxiliar de áudio e vídeo, ministrado pelo programa Árvore da Vida da Fiat Automóveis e pela ON Projeções, têm agora uma oportunidade não só de deslancharem profissionalmente, colocando em prática o conteúdo e técnica aprendidos em quatro meses do intensivo profissionalizante, como também de participar de um momento histórico dos 110 anos de Belo Horizonte. São eles que estão instalando os 164 mil pontos de leds (micropontos de diodo que mudam de cor, emitem luz e têm 10 vezes mais luminosidade que os sistemas tradicionais de telões) na grande árvore de Natal em alumínio, de 55m de altura (equivalente a um prédio de 18 andares) e 40 toneladas, que está sendo instalada na Lagoa da Pampulha, pela Prefeitura de Belo Horizonte. A ON é uma das únicas empresas de painéis no país a trabalhar com as placas de leds, em parceira com uma empresa de tecnologia italiana.

Para tudo estar pronto no dia do aniversário de BH, na quarta-feira, os jovens têm trabalhado das 9h às 18h, diariamente, no galpão da ON, em Nova Lima. Eles foram contratados como mão-de-obra temporária, com carteira assinada, alimentação e transporte. Mas alguns já estão com emprego garantido na empresa e um deles vai até se mudar para São Paulo, para trabalhar na filial da ON. “Somos todos moradores do mesmo bairro (o Jardim Terezópolis, em Betim, na Grande Belo Horizonte), vizinhos e, depois de um processo seletivo rigoroso, conseguimos fazer o curso e pegar esse trabalho. O Árvore da Vida começou meio desconhecido e hoje é um dos mais fortes na comunidade, não só nos cursos profissionalizantes, mas em outras áreas. Nós todos tínhamos um preparo muito bom para estarmos no projeto, por isso chegamos até aqui”, diz o porta-voz do grupo, Davidson dos Santos Alves, de 22 anos, que já está sendo treinado para trabalhar na capital paulista.

Segundo o Árvore da Vida, o Jardim Terezópolis é um bairro com baixo índice de desenvolvimento social (IDH), onde vivem cerca de 33 mil pessoas, e localizado em área de alta vulnerabilidade social. Além do programa, há outros três projetos para redução da violência e resgate da auto-estima das pessoas: o Fica Vivo, do governo de Minas, o Frei Estanislau e um projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência Social de Betim. “Temos consciência do nosso papel na comunidade e somos realmente bons frutos desse projeto. Apesar da fama de o Jardim Terezópolis ser um lugar violento e com problemas, tem uma turma de jovens que estudou, terminou o ensino médio e que quer melhorar ainda mais. É o nosso caso”, complementa Davidson.

Durante o curso de auxiliar técnico de áudio e vídeo, os jovens têm o acompanhamento pedagógico do programa Árvore da Vida, com avaliações do curso, dos professores e dos parceiros envolvidos. Na grade curricular, aulas de formação humana, relações interpessoais, atendimento a clientes, formação em eletromecânica, informática e formação técnica e específica com instalações multimídia.
Cristina Horta
Aulas de rapel complementaram o treinamento da ON, que trabalha com painéis e precisa de mão-de-obra especializada

FORMAÇÃO COMPLETA
Para Rafael Pereira Maciel, de 25, o curso foi uma grande surpresa. “Tinha ouvido falar do programa, me inscrevi, mas fiquei impressionado com o nível do curso. Tivemos uma formação bem completa, com aulas o dia inteiro durante quatro meses e uma base excelente para atuarmos em qualquer empresa nesse ramo de atividades. Aprendemos até sobre tecnologia de materiais. Esse tipo de investimento é fundamental para mudar a realidade de bairros como o que a gente vive”, diz Mairon Magno Gonçalves, de 24, passou parte da juventude pichando muros com amigos. E foi no Árvore da Vida que encontrou uma oportunidade de aprender algo que tinha a ver com os desenhos, mas que hoje é valorizado como arte: o grafite. “Acabamos fazendo até uma mostra numa universidade de BH, foi muito bacana. E, agora, com esse curso, tenho uma profissão. Adoro fotografia, imagem e acho que vou me dar bem”, diz, entusiasmado.

Benet Josué Gonçalves, de 21, diz que os integrantes do grupo já tinham potencial e o curso só os fez despertar para algo que não esperavam. “Acredito que cada um tem algo a ser lapidado, a ser descoberto e, no nosso caso, vejo que quase todos despertaram para o lance de trabalhar com imagem, com vídeo”, comenta. “Eu mesmo já tinha trabalhado com projeção em festas de 15 anos e ampliei muito meus conhecimentos nessa área depois de fazer o treinamento. Abri o meu olhar com essa oportunidade”, emenda Geovane Pereira de Amorim, de 22.